O futuro do trabalho exige uma participação maior de mulheres em cargos de conselheiras, com vistas à sustentabilidade das organizações. A diversidade de gênero nos conselhos administrativos e consultivos não é apenas uma questão ética, mas uma estratégia de negócio, que impulsiona a inovação, melhora a tomada de decisões e gera melhores resultados financeiros e de ESG.
É o que mostra a pesquisa Liderança Empresarial 2025, realizada pela Vila Nova Partners, consultoria de recrutamento de executivos e para conselhos, que indica um pequeno aumento da representatividade feminina nos conselhos de administração das empresas de capital aberto no Brasil, entre 2024 e 2025. Dos 775 assentos analisados no ano passado, em 83 companhias do índice Ibovespa, 19,6% eram de mulheres. Já este ano, dos 754 assentos em 81 organizações, 21% são ocupados por conselheiras.
O salto é mais significativo se comparado ao ano de 2015, quando apenas 6,3% das cadeiras dos conselhos eram ocupadas por mulheres. No entanto, a pesquisa também aponta que em posições de liderança ainda há bastante resistência para uma participação maior das mulheres. De 2015 para 2025 o aumento foi de apenas 0,6% e, nos cargos de CEO, não houve progresso. Pelo contrário, foi registrada uma queda na presença feminina, de 4,8% em 2024 para 3,6% em 2025.
Esses números sofrem o impacto do atual momento do mercado de capitais brasileiro que, após um ciclo bastante robusto em 2020/2021 — período em que ocorreram mais de 70 Ofertas Públicas Iniciais (IPOs) —, não registrou nenhum IPO na B3 nos últimos quatro anos (2022-2025). Esse cenário de retração reflete em diversas frentes, incluindo a oferta de vagas nos conselhos de administração, pela redução no número de companhias abertas.
Apesar das dificuldades de promover maior igualdade de gênero nos conselhos, em razão de aspectos culturais, preconceitos estruturais e falta de políticas corporativas para maior inclusão, o futuro do trabalho está intimamente ligado às mulheres, especialmente em papéis de liderança. As transformações tecnológicas, sociais e organizacionais exigem competências tradicionalmente associadas às mulheres, como colaboração, empatia, comunicação estratégica e gestão de equipes diversas.
Estudos mostram que empresas com maior diversidade nos conselhos apresentam melhor desempenho financeiro, como o Ready-Now Leaders, do Conference Board, think tank global de insights sobre o futuro. Segundo o relatório, as organizações com pelo menos 30% de mulheres em cargos de liderança têm 12 vezes mais probabilidade de estarem entre as 20% melhores em desempenho financeiro.
Mas os impactos vão muito além do aspecto financeiro. A diversidade de gênero nos conselhos oferece diferentes perspectivas, experiências e habilidades, o que contribui para um processo decisório mais completo e equilibrado. Conselhos mais plurais também tendem a ser mais inovadores e promovem uma cultura colaborativa, o que pode resultar em ambientes de trabalho mais saudáveis. Sem falar que a inclusão de mulheres ajuda a alinhar as empresas à diversidade existente na sociedade em geral, promovendo maior conexão.
Um marco para a igualdade de gênero nos conselhos no Brasil foi a sanção, em julho deste ano, da lei 15.177/25, que estabelece a obrigatoriedade de reserva mínima de 30% para empresas públicas; sociedades de economia mista e suas subsidiárias; e companhias controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal ou Municípios. Com tal medida, o País segue o exemplo de outros países que já adotam reserva de vagas para mulheres nos conselhos administrativos.
A nova legislação estabelece ainda que ao menos 30% dessas vagas devem ser destinadas a mulheres negras ou com deficiência. A implementação é gradual, vinculada às próximas eleições para o conselho: 10% na primeira, 20% na segunda e 30% a partir da terceira eleição.
A lei não se aplica às companhias abertas, cuja adesão é facultativa. No entanto, as companhias listadas na B3 têm a recomendação para atender a regras de diversidade de gênero nos conselhos de administração conforme orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A cota mínima estabelecida neste caso é a eleição de ao menos uma conselheira para o colegiado até 2026.
Para atender as necessidades do futuro do trabalho, que exigirá cada vez mais mulheres preparadas para ocupar cargos de alto nível, a Trevisan Escola de Negócios inicia, em março de 2026, o curso de Formação de Conselheiras Consultivas, em parceria com o Movimento Mulher 360.

O programa é voltado para a formação de profissionais que desejam compor os conselhos consultivos das empresas, que têm atuação diferente do conselho de administração. O conselho consultivo desempenha um papel fundamental na governança, pois tem poder de gerar perenidade ao negócio e auxiliar na sucessão de uma empresa, por exemplo, atuando como um guia estratégico e garantindo a continuidade sustentável do negócio.
A presença de mulheres em conselhos consultivos de empresas familiares brasileiras, que representam a maioria das organizações do País, é vista como um fator crucial para o futuro do trabalho e para a sustentabilidade desses negócios. Esse movimento está alinhado às tendências de diversidade, inovação e governança cada vez mais exigidas no mercado.
Dessa forma, o objetivo do curso é fornecer às participantes o conhecimento necessário na área de negócio, governança e outros temas fundamentais, para que elas se sintam capazes de enfrentar os reais desafios dos conselhos consultivos, além de desenvolver habilidades estratégicas para atuar ativamente e impactar os resultados das organizações.
Assista abaixo ao vídeocast Papo de Conselheira e acompanhe reflexões práticas sobre governança, liderança e sustentabilidade.