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Entre os anos de 2026 e 2032, empresas e profissionais da área fiscal enfrentarão um dos períodos mais desafiadores da história recente: a convivência simultânea entre o sistema atual e o novo modelo instituído pela reforma tributária.
Este conteúdo, portanto, tem o objetivo de funcionar como um manual de sobrevivência para essa fase de transição, marcada sobretudo pela complexidade operacional, pelos riscos de compliance e pela necessidade de qualificação técnica e contínua.
Recentemente, a reforma tributária foi aprovada com a promessa de simplificação, de racionalização de tributos sobre o consumo e de maior transparência no sistema.
No entanto, a transição prevista até 2032 impõe uma realidade menos linear: durante os próximos anos, o modelo antigo (ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI) coexistirá com os novos tributos, como a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Na prática, isso significa operar dois regimes simultaneamente, com regras, bases de cálculo, obrigações acessórias e impactos contábeis bem distintos.
Segundo estimativas amplamente divulgadas por entidades empresariais, o Brasil já figura entre os países com maior complexidade tributária do mundo, exigindo milhares de horas anuais para cumprimento de obrigações fiscais. A transição da nova reforma tributária tende, inicialmente, a ampliar essa demanda por controle e governança.
Durante o período de transição, empresas precisarão:
O risco não é apenas operacional.
Erros de interpretação podem gerar autuações, perda de créditos e impactos financeiros relevantes. O chamado “custo da não conformidade” tende a crescer em ambientes de mudança regulatória intensa. Nesse contexto, a dualidade da reforma tributária deixa de ser apenas um tema jurídico e se torna uma questão estratégica.
Em janeiro de 2026, a ABNT publicou a NBR 17301, norma voltada a sistemas de gestão de compliance tributário, alinhada às melhores práticas internacionais de governança.
O movimento reforça a importância de estruturar processos internos baseados em planejamento, execução, monitoramento e melhoria contínua (modelo PDCA).
Em um cenário no qual a reforma tributária introduz novos conceitos e o sistema anterior permanece ativo, a governança fiscal deixa de ser diferencial e vira requisito básico.
Em outras palavras, isso significa que organizações que estruturam políticas claras, matriz de riscos tributários, controles internos robustos e monitoramento constante estarão mais preparadas para atravessar esse ciclo com segurança.
Outro ponto que merece atenção é o imposto seletivo.
Previsto na reforma tributária como instrumento de tributação sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Embora sua regulamentação ainda esteja em consolidação, o imposto seletivo da reforma tributária introduz uma lógica extrafiscal mais evidente no sistema brasileiro. Isso impacta o planejamento tributário, a estratégia de portfólio e até o posicionamento de mercado em determinados setores.
Empresas que atuam com bebidas, combustíveis e outros produtos específicos precisam acompanhar de perto a evolução normativa para evitar distorções de custo e margem.

Diante desse cenário, algumas diretrizes se tornam essenciais:
Antes de reagir, é preciso mapear. Avaliar exposição fiscal atual, identificar riscos no modelo vigente e projetar impactos do novo sistema permite construir um plano mais assertivo.
Sistemas de gestão precisarão dialogar com novas obrigações acessórias e formatos de apuração. Investir em tecnologia não é opcional, mas sim, parte central da estratégia.
A interpretação normativa será decisiva. Profissionais que dominarem tanto o sistema atual quanto as regras da nova reforma terão papel estratégico dentro das organizações.
Tributário, contábil, financeiro, jurídico e tecnologia precisarão atuar de forma integrada. A transição não é apenas fiscal; ela afeta o modelo de negócios e tomada de decisão.
A dualidade tributária exige mais do que conhecimento técnico isolado. Exige visão sistêmica, capacidade analítica e leitura estratégica do ambiente regulatório.
A Trevisan, como escola de negócios do agora, acompanha de perto esse movimento e entende que a reforma tributária não é apenas uma mudança, e sim uma transformação estrutural na forma como empresas se organizam, planejam e reportam suas operações.
Profissionais que se anteciparem, estruturarem conhecimento e compreenderem a nova lógica estarão mais preparados para assumir posições de liderança nesse novo contexto.
O período de 2026 a 2032 será desafiador. A coexistência entre dois sistemas tributários impõe carga operacional adicional e exige maturidade em governança.
No entanto, toda mudança estrutural também gera oportunidades. Organizações que tratarem a transição da reforma tributária como projeto estratégico — e não apenas como obrigação legal — poderão transformar complexidade em vantagem competitiva.
Para quem deseja aprofundar conhecimentos e atuar de forma estratégica nesse novo contexto, vale conhecer o MBA em Gestão Tributária da Trevisan.
Misturando teoria e prática, esse MBA foi desenhado para quem quer dominar os principais instrumentos do mercado, entender cenários econômicos complexos e aplicar metodologias de gestão tributária com visão estratégica. O curso desenvolve competências em análise de performance, elaboração de estratégias de investimento, uso de produtos financeiros avançados e avaliação de riscos, fundamentais para atuar nesse novo cenário.
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